1. O Comunicador Espírita: Consciência e Ação

Desde a codificação de “O Livro dos Espíritos” por Allan Kardec em 1857, o Espiritismo consolidou-se ao longo dos últimos 150 anos em seus aspectos científico, filosófico e religioso como uma doutrina esclarecedora, educadora e consoladora, constituindo-se em instrumento da Moral do Cristo a alavancar a regeneração e o progresso da humanidade. No decorrer deste período, fundaram-se, a partir da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, núcleos espíritas por todo o planeta, o que resultou na construção de um movimento internacionalmente estruturado.

O Brasil constitui-se em estrela de primeira grandeza na constelação do movimento espírita internacional, tendo recebido a outorga e o compromisso de ser “O Coração do Mundo, A Pátria do Evangelho” e contando com mais de 10 mil Centros Espíritas cadastrados junto à Federação Espírita Brasileira – FEB e mais de 40 milhões de espíritas, segundo informação da Federação Espírita Brasileira veiculada em reportagem da Revista Veja em 11 de maio de 2005.

A divulgação e a difusão da Doutrina Espírita neste contexto têm sido atribuídas aos expositores doutrinários, aos evangelizadores de infância e juventude, aos facilitadores de grupos de CIEDE, ESDE, EADE, etc., aos caravaneiros que visitam lares, aos que redigem textos e obras espíritas e aos que, de alguma forma, implementam elementos de comunicação através da arte e de mídias como jornais, programas de rádio, televisão e mais recentemente sites de internet.

Ocorre que, tomando-se o Brasil como universo, estas pessoas a quem se destinaram a oportunidade e o encargo de serem “comunicadores espíritas” constituem número deveras diminuto diante dos 40 milhões de espíritas que aqui já existiam no ano 2005. E diante de tal constatação, inexorável torna-se o questionamento: a quem e a quantos incumbe a tarefa sublime de comunicar (tornar comum) entre os homens a Doutrina dos Espíritos?

A resposta a este questionamento é bastante clara, dissipando qualquer possibilidade interpretativa plural e está insculpida na própria Codificação. Veja-se, pois, as palavras de Erasto contidas em Missão dos Espíritas – item 4 do Capítulo XX do Evangelho Segundo o Espiritismo: Marcha, pois, avante, falange imponente pela tua fé. Diante de ti os batalhões dos incrédulos se dissiparão, como a bruma da manhã aos primeiros raios do sol nascente (…) Ide e pregai que as populações atentas recolherão ditosas as vossas palavras de consolação, de fraternidade, de esperança e de paz.

Por certo que o convite, a conclamação evangélica não se destina unicamente ao universo de dirigentes e trabalhadores espíritas ligados diretamente à exposição e à comunicação específica da Palavra do Cristo. É para todos os espíritas, sem exceção, que se entrega a missão de serem comunicadores do Espiritismo. A cada um dos adeptos esclarecidos cabe fazer saber aos que lhe cercam da existência da Doutrina Espírita e da sua proposta transformadora. Eis a consciência que se deve desenvolver em nossos núcleos, trabalhadores, estudantes e freqüentadores.

Não se pode descuidar de que a segurança para que sejamos todos comunicadores espíritas advém de um arcabouço mínimo de conhecimento: Espíritas! Amai-vos, este o primeiro mandamento; instruí-vos, este o segundo. No entanto, é de se ter presente que o método de estudo proposto por Kardec não visa à formação de doutores, mas a construção de homens de bem, de acordo com a diretriz traçada pelo Cristo. Logo, antes e juntamente com a instrução, o maior elemento de comunicação da Doutrina Espírita há de ser o amor, a postura caritativa e fraterna com que os seus adeptos tratarão uns aos outros e a todos os seus companheiros de habitação terrestre.

A palavra e o conhecimento teórico são fundamentais, mas pouco ou nada alcançarão na difusão do Espiritismo se apartados da autoridade moral que só a conduta do espírita é capaz de gerar.

Em todos os lugares e esferas de convivência lidamos dia após dia com situações nas quais nos são exigidas ações cristãs. Assim, ainda que não haja ocasião constante ou pré-disposição do comunicador a exposições de cunho doutrinário, o meio mais eficiente de comunicação lhe está sempre disponível: seus atos.

O silêncio em determinadas situações de cólera; a palavra compreensiva dirigida ao cônjuge, ao filho, ao irmão; a tolerância com o colega de profissão; o perdão àqueles que nos prejudicam e maldizem; o respeito aos que pensam de outro modo e são diferentes de nós; a compaixão com os que atentam contra a Lei. Todos estes são mecanismos de difusão do Espiritismo. Os bons espíritas, aqueles que se esforçam para domar as suas más inclinações, e, apesar de suas imperfeições, agem de forma caritativa, irão surpreender a atenção dos que lhes circundam e irão, não só com palavras, deixar ver ao mundo a edificação do homem por uma Doutrina verdadeiramente transformadora.

Utilizemo-nos, portanto, de todos os elementos e momentos de que podemos lançar mão e assim sejamos: cada espírita com a consciência e a ação de comunicador do Espiritismo, constituindo as fileiras dos aristocratas intelecto-morais na expressão de Kardec e multiplicando os artífices da nova ordem social.

Gabriel Nogueira Salum
DECOM-FERGS
Revista Veja, Ed. 1904, 11.05.2005, Reportagem especial. Vide site http://veja.abril.com.br/110505/p_112.html
Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. VI, item 5, Advento do Espírito de Verdade. FEB, 113ª Edição, Brasília: p. 130.
Kardec, Allan. In Obras Póstumas. Ed. FEB. 1ª Edição Especial. Brasília: 2005, p. 297.

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